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Roda de conversa com egresso - Geovanna Salvino

  • Foto do escritor: Geovanna Salvino de Lima
    Geovanna Salvino de Lima
  • 28 de nov. de 2025
  • 6 min de leitura

“Do início até o último porto, só se interessa a viagem: 

às vezes tem tempestade, ondas enormes cobrem o barco;

depois vem a calmaria e podemos desfrutar de um horizonte claro.

Mas se durante essa travessia a gente prosseguir desejando

o bom, o belo e o verdadeiro, então tudo terá valido a pena.”

– Lygia Fagundes Telles


Participar do PET Letras foi, para mim, uma viagem. Viajei pelo novo, pelo desconhecido, pelo belo. Essa viagem, às vezes tempestuosa, me proporcionou experiências inesquecíveis. Entre viagens culturais, rodas de conversa, podcasts e reuniões de alinhamento, fui moldando a forma como via o mundo ao meu redor. Entender o outro é entender a si mesmo e, durante o tempo em que fui petiana, de novembro de 2023 a janeiro de 2025, aprendi a compreender o outro mediante suas diferenças.

Meu nome é Geovanna, tenho 22 anos e sou graduada em letras pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Enquanto graduanda, fui uma aluna muito engajada, participando de vários projetos e atividades que desenvolviam atividades acadêmicas e extracurriculares — dentre estes, o PET Letras. Durante essa trajetória no programa, tive acesso a uma rica formação, que me permitiu crescimento acadêmico, profissional e pessoal. 

Quando ingressei no curso, em julho de 2021, tive a oportunidade de me inscrever no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) do curso de Letras e no Programa de Educação Tutorial (PET) do curso de Letras. Enquanto caloura, completamente perdida, pedi a orientação de um colega veterano. Ele me aconselhou a realizar a inscrição para o PIBID e, em um outro momento, com mais tempo disponível para dedicação, eu me inscreveria no PET, já que a carga horária do PIBID é menor em relação à do PET. Eu, ingressante no curso, trabalhando meio período e com pouco tempo para me dedicar a um programa, segui a dica do colega. Participei do PIBID até seu encerramento, em março de 2022.

Em julho de 2022, ainda trabalhando durante o período matutino, recebi um e-mail da UFGD informando sobre um edital com inscrições abertas para ser monitor brinquedista na Brinquedoteca - Mitã Rory da UFGD, vinculada à Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PROAE). Decidi me inscrever e, em agosto, fui chamada para a entrevista, na qual fui super bem e me proporcionou a seleção na 1ª chamada. Neste espaço, fiz amizades que levo até hoje e desenvolvi muitas habilidades que contribuíram para a pessoa profissional que sou hoje.

Durante esse período, dois editais para ingressar no PET Letras foram publicados, mas o meu receio de não conseguir conciliar trabalho, graduação e um projeto que exige dedicação de 20h semanais era maior. Foi só em agosto de 2023, enquanto ainda era brinquedista na Brinquedoteca da UFGD, que decidi tentar o processo seletivo para o PET. Minhas motivações iniciais eram a mudança do valor da bolsa, já que na brinquedoteca o valor da bolsa era de R$400 e, no PET, R$700. Entretanto, ao conversar com alguns colegas petianos e ler alguns documentos que falavam sobre o programa, percebi que era muito mais que isso. Participar do PET seria desenvolver atividades que conversam com a minha área e o meu curso e, a partir disso, transformar a minha formação inicial, desenvolvendo atividades de ensino, pesquisa e extensão. Sendo assim, eu estava muito confiante de que o PET me marcaria e que, é claro, eu também deixaria a minha marca. E foi neste processo seletivo que ingressei no PET Letras como bolsista. 

O grupo do qual participei começou com 18 membros, todos muito diferentes e com muito a oferecer. Cada membro tinha suas idiossincrasias. O grupo contava com artistas, músicos, professores e até designers. Todas essas habilidades dos petianos nos proporcionaram formações proveitosas, com muito aprendizado e saberes compartilhados. Entretanto, com o passar do tempo, alguns membros foram saindo, outros entrando, outros ainda finalizavam a graduação e tinham de voar. Mas era nesse vai e vem que nossas tardes de reuniões eram repletas de risadas, discussões, comilanças e inúmeros conflitos – o que é completamente normal num grupo, ainda mais em um tão heterogêneo. 

O ano em que participei do PET me permitiu enxergar a importância de uma equipe de líderes. Nossa tutora, a Profª. Drª. Célia Delácio, nos mostrava como o protagonismo seria importante para a nossa formação. Hoje, colho os frutos disso, quando tenho facilidade para tomar frente nas mais diversas situações do cotidiano. Além disso, a tutora nos estimulava a sair da zona de conforto o tempo todo. Lembro-me de quando fui mediadora de uma roda de conversa com escritores. Não estava nada confiante, mas a professora Célia me convenceu de que eu estava preparada. E eu estava. Não foi perfeito, mas foi possível, e graças à ela.

Outra experiência marcante para qualquer petiano é a viagem cultural. Essa atividade é pensada pelos petianos do começo ao fim. Os próprios membros do PET definem o destino, os passeios, a quantidade de dias, o local de hospedagem, resolvem questões de transporte e arrecadação de dinheiro. Ela só é possível se os petianos estiverem engajados e dispostos a realizá-la, utilizando suas habilidades diversas para alcançar este objetivo. Nessa minha trajetória, fiz duas viagens com o PET: uma para Campo Grande, em que visitamos o Bioparque Pantanal, a casa Manoel de Barros e o shopping Campo Grande, e outra para Rosana, em que visitamos o Balneário Municipal e algumas ilhas e conversamos com moradores ribeirinhos da região. As viagens, além de unirem os alunos na arrecadação financeira e na divisão de responsabilidades, são um momento de descontração para os graduandos, que podem ter acesso ao lazer e à cultura local.

Por fim, destaco os eixos que estruturam o PET: ensino, pesquisa e extensão. Enquanto participante do PIBID, tive contato com o ensino pois assistia às aulas da professora supervisora, auxiliava na elaboração de atividades, entre outros. Porém, a pesquisa e a extensão na graduação eram, para mim, campos completamente novos. No ensino médio realizei uma iniciação científica (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação Científica no Ensino Médio/PIBIC-EM) mas na graduação, durante os três primeiros anos, não foi possível. Foi só no meu último ano, e por insistência da professora tutora, que realizei uma iniciação científica. Não era desinteresse, mas medo de não conseguir: não conseguir conciliar o trabalho, o PET, a graduação e um PIVIC (Programa Institucional Voluntário de Iniciação Científica); não conseguir ler todos os textos exigidos para realizar uma boa pesquisa; não conseguir fazer reuniões frequentes com o orientador. Esse pensamento me impediu de realizar outras iniciações científicas, e só participei do PIVIC porque a professora Célia me encorajou (afinal, petianos precisam desenvolver pesquisas). 

É aí que nasce a minha relação com a pesquisa. Hoje, sou acadêmica bolsista CAPES do mestrado em Letras pela UFGD, no qual realizo pesquisas na linha de gêneros textuais e formação de professores, sob orientação do Prof. Dr. Adair Vieira Gonçalves, e acadêmica da Especialização em Ensino de Humanidades e Linguagens pelo Instituto Federal da Grande Dourados (IFMS), câmpus Dourados. No PIVIC, fui orientada pelo Prof. Dr. Adair Vieira Gonçalves e, a partir desta pesquisa, meu orientador se dispôs a me orientar no mestrado. Então, nesse sentido, o PET teve relação direta com o meu ingresso na pós-graduação, e acredito que isso é fruto do trabalho sério e compromissado da tutora e da colaboração e diálogo dos petianos. Faço um agradecimento especial às petianas egressas Gabriela Cabrera e Ana Júlia Francisco. Nos formamos juntas e, assim que o edital para ingresso no mestrado em Letras da UFGD no ano de 2025 foi publicado, criamos um grupo no WhatsApp para nos ajudarmos na construção do projeto de pesquisa. Lemos os projetos, trocamos informações, nos ajudamos, e isso foi e é muito importante no ambiente acadêmico. Além disso, não poderia deixar de mencionar a professora Célia, que me tranquilizou durante esse processo e, para além dele, me mostrou que engajar-se

politicamente sempre vale a pena, é necessário e urgente.

Finalizo este relato ressaltando a importância da amizade na graduação. Dentre tantas habilidades, capacidades e experiências que o PET proporciona, para mim, a mais importante é a amizade. Ter com quem contar quando as coisas não vão bem, ter com quem compartilhar as realizações, ter com quem dividir as responsabilidades, ter alguém para te ajudar nas tarefas e atividades. É na amizade que vejo a calmaria e o horizonte claro de Lygia Fagundes Telles, apesar de suas tempestades. E hoje, enquanto professora e pesquisadora, agradeço ao PET Letras por me mostrar isso e contribuir para quem sou e quero ser.



Apresentação no XV SEREX, em Cuiabá
Apresentação no XV SEREX, em Cuiabá
Viagem cultural à Rosana
Viagem cultural à Rosana


Foto do grupo no evento InterPET, em 2024.
Foto do grupo no evento InterPET, em 2024.

Revisado por: Ana Louise

 
 
 

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