DA NOITE SOMBRIA AO VAMPIRO POP: DRÁCULA, NOITE PRETA, VAMP E O BEIJO DO VAMPIRO
- Arilson Sampaio dos Santos

- há 19 horas
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O vampiro como conhecemos nos filmes, séries e novelas nunca teve exatamente uma figura fixa; ele se transforma com o passar do tempo, contexto e obra. Em cada universo, a figura do vampiro pode variar entre um ser assustador, romântico, sedutor ou até mesmo cômico. Foi isso que meu seminário explorou, comparando quatro obras marcantes: o filme Drácula de Bram Stoker, a música Noite Preta da cantora Vange Leonel, e as novelas Vamp e o Beijo do Vampiro.
No filme Drácula de Bram Stoker, o vampiro ganha uma profundidade dramática. Sendo interpretado pelo ator Gary Oldman, Drácula deixa de ser só um monstro e se torna uma figura trágica — originado da dor e da perda se torna um ser amaldiçoado que vive entre o amor obsessivo e a condenação eterna. Já na música Noite Preta, de Vange Leonel, não temos o vampiro de forma literal. Ele aparece como metáfora, e aqui está ligado a solidão, desejo intenso e melancolia: a noite é um espaço emocional, onde sentimentos profundos aparecem. Diferente do terror de Drácula, em Noite Preta, o vampiro se transforma em estado de espírito, algo interno, simbólico e profundamente humano.
A novela Vamp quebra este padrão de abordagem sombria, trazendo uma figura mais leve e divertida. Com personagens caricatos e situações exageradas, o vampiro se torna mais entretenimento do que ameaça — a partir de figuras como Conde Vlad, um exemplo de personagem que é ao mesmo tempo vilão e cômico. A novela mistura humor (sobretudo nas personagens Mary e Matoso), romance e elementos sobrenaturais, trazendo às telas elementos que mais tarde viriam a se tornar o centro de produções dramatúrgicas posteriores. Além disso, a novela também apresenta elementos religiosos diversos, em personagens como pai Gil e sua filha biológica Branca — referências ao candomblé que na reta final da novela incorporam Ogum e Iansã — além de referências diretas ao catolicismo, ampliando assim o universo simbólico do vampiro.
Na novela O Beijo do Vampiro, a figura do vampiro ganha ainda mais traços humanos. A novela traz o drama e as relações emocionais, mostrando que assim como os humanos, os vampiros sofrem, amam e enfrentam crises existenciais. A imortalidade não é vista mais como um poder e passa a ser um fardo. A novela mistura fantasia e o cotidiano do povo brasileiro, se aproximando mais do público. O humor traz equilíbrio à narrativa, deixando-a mais leve e acessível.
Se compararmos as quatro narrativas, a evolução da figura do vampiro se torna clara — o vampiro deixa de ser um monstro e se torna um reflexo das emoções humanas. Aquele que representou o medo desconhecido, hoje também simboliza desejo, solidão, amor e conflito interior. Acredito que talvez a melhor definição para o vampiro seja: uma criatura da noite que se tornou metáfora da condição humana.
Sempre tratamos os vampiros como monstros aterrorizantes e ameaçadores, mas, na verdade, eles são apenas seres incompreendidos que, no fundo, querem apenas aquilo que a maioria de nós também deseja: amar e ser amado.
Texto revisado por: Ana Louise



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